Goiânia, 08/04/26
Tribuna Livre Goiás
ARTE · 07/04/2026

Alma Negra Viva 2026 Transforma a Câmara Legislativa em Palco da Potência da Arte Brasileira

Sob curadoria de Paulo Melo, exposição reúne grandes nomes das artes visuais em uma mostra que atravessa ancestralidade, identidade, espiritualidade e contemporaneidade no coração de Brasília


Por Miriam Barbosa.

No cenário institucional da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a exposição “Alma Negra Viva 2026” emerge como uma das mais relevantes manifestações da arte afro-brasileira contemporânea no Distrito Federal. Com abertura marcada para esta quarta-feira, 8 de abril, às 17h, no foyer principal da Casa, a mostra propõe muito mais do que uma reunião de obras: ela se estabelece como um gesto de memória, pertencimento, visibilidade e afirmação estética.

Idealizada e conduzida pelo curador Paulo Melo, a exposição chega à Câmara Legislativa após passagens pela Galeria da LBV e pela Galeria Arte em Pauta, no Jardim Botânico. Agora, ao ocupar o espaço institucional do poder público, “Alma Negra Viva 2026” amplia seu alcance simbólico e reafirma a centralidade da produção negra no circuito artístico contemporâneo.

A curadoria de Paulo Melo se destaca justamente por evitar leituras homogêneas da arte negra. Em vez disso, o curador constrói uma narrativa plural, capaz de reunir diferentes gerações, linguagens, técnicas e territórios poéticos em torno de um mesmo eixo: a valorização da identidade afro-brasileira como potência criadora. A mostra articula pintura, escultura, colagem, assemblage, arte urbana, fotografia e intervenção visual em um percurso que atravessa ancestralidade, religiosidade, cotidiano, resistência, urbanidade e futuro.

Mais do que selecionar obras, Paulo Melo organiza um discurso curatorial sofisticado, no qual cada artista ocupa um lugar singular dentro de uma grande cartografia da experiência negra no Brasil. A exposição transforma o foyer da Câmara em um espaço de escuta visual, onde a arte deixa de ser apenas contemplação para se tornar também linguagem política, instrumento de pertencimento e território de disputa simbólica.

Entre os artistas participantes estão 

  • Adalardo Santiago,
  • Alda Carvalho,
  • Áurea Rodrigues Pinto
  • Aniella Castro
  • Beth Ribeiro
  • Carol Narvaez
  • Cris Lopez
  • Dagoberto Ferreira
  • Darlan Rosa
  • Dilson Cavalcanti
  • Djavan Monteiro
  • Gilson Filho
  • Hemerson Joca
  • Hugo de Souza
  • Janice Affonso
  • Léo Sztutman
  • Lourenço de Bem
  • Marcelo Tupã
  • Maura Alves
  • Milton Pontes
  • Miriam Germano
  • Nancy Safatle
  • Nilda Leite
  • Paola Lazzareschi
  • Paulo Melo
  • Ray Di Castro
  • Ronaldo Ferreira
  • Rose Ornelas
  • Sérgio Pedreira
  • Tarciso Viriato
  • Toninho de Souza
  • Ulisses de Sousa
  • Vilma Machado
  • Walquiria Borges

Entre os grandes destaques da mostra está Toninho de Souza, um dos nomes históricos das artes visuais do Distrito Federal. Nascido na Bahia, em 1951, e radicado em Brasília desde a infância, Toninho construiu uma trajetória singular ao criar o Melantucanarismo — movimento artístico que transformou o cerrado brasileiro em linguagem visual. Em suas obras, melancias, tucanos, araras e paisagens do Planalto Central surgem em cores intensas, compondo uma estética profundamente brasileira, popular e imediatamente reconhecível.

Outro nome de forte projeção é Hemerson Joca, artista goiano cuja produção se destaca pela experimentação de suportes e materiais. Sua obra estabelece pontes entre pintura, colagem, serigrafia, plástico derretido e linguagem digital, resultando em peças de forte densidade matérico-poética. Hemerson participou do 8º Salão de Arte Brasileira em Liechtenstein ao lado de nomes de projeção internacional como Eduardo Kobra e Cranio. Atualmente, apresenta a exposição individual “Do Analógico ao Digital”, também sob curadoria de Paulo Melo, na Faculdade Católica de Taquaritinga.


A presença simultânea de artistas consagrados e novos talentos confere à mostra um caráter de mosaico cultural. “Alma Negra Viva 2026” reúne diferentes gerações e trajetórias em uma mesma narrativa expositiva, demonstrando que a arte negra brasileira não é um bloco uniforme, mas um conjunto vasto, sofisticado e multifacetado de linguagens.

Ao transformar a arte em espaço de memória e projeção de futuro, a exposição reafirma que a produção afro-brasileira ocupa hoje um lugar incontornável no debate contemporâneo sobre cultura, identidade e representatividade. Em Brasília, “Alma Negra Viva 2026” não apenas exibe obras: ela reposiciona olhares, desloca silêncios e amplia horizontes.

A mostra permanece aberta ao público até 17 de abril, no Espaço Cultural Athos Bulcão, dentro da Câmara Legislativa do Distrito Federal, com entrada gratuita e visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.


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